quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O uso do Computador e novos paradigmas.


O perfil do professor sem dúvida mudou, vivemos em uma sociedade em que estudar é algo fundamental para o exercício de uma cidadania com dignidade, porem nem sempre estamos motivados a estudar. Nesse sentido Perrenoud explica “cada professor espera alunos que se envolvam no trabalho, manifestem o desejo de saber e a vontade de aprender.” A democratização dos estudos trouxe para as salas de aula alunos heterogêneos. O professor se depara agora com alunos com pouca vontade de aprender, mas inseridos no ambiente escolar.

Nesse sentido cabe ao professor a responsabilidade pela motivação de seus alunos, segundo o autor, é preciso instigar nos alunos a vontade de aprender, ou seja, é preciso envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho. Nesse sentido Perrenoud cita algumas competências: suscitar o desejo de aprender, desenvolver no educando a capacidade de auto-avaliação; negociar com os alunos as regras, os contratos; oferecer atividades opcionais; favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.

Conforme o autor, o ensino hoje deve partir do interesse do aluno, nesse caso acredito que para o uso do computado o professor deve ter um perfil progressista. O professor deve ser um guia, orientador do professo educativo, ele não é o dono do conhecimento, mas sim um mediador, o qual deve dispor meios para aluno apropriar-se do conhecimento. Nesse caso, as tecnologias são ferramentas para apropriação de conteúdos científicos, e interligá-lo a prática social, pois o conteúdo separado do seu contexto não é significativo para o aluno.

Mas será que esses professores estão preparados para tal mudança, se muitos em sua formação pedagógica, não tiveram contato com tecnologias, e outros mesmo tendo ainda possuem aversão a qualquer tipo de tecnologia. Nesse impasse Araújo, adverti:

O valor da tecnologia na educação é derivado inteiramente da sua aplicação. Saber direcionar o uso da Internet na sala de aula deve ser uma atividade de responsabilidade, pois exige que o professor preze, dentro daperspectiva progressista, a construção do conhecimento, de modo contemplar o desenvolvimento de habilidades cognitivas que instigam o aluno a refletir e compreender, conforme acessam, armazenam, manipulam e analisam as informações que sondam na Internet. (2005, p. 23-24)

Não basta colocar nas escolas, sofisticados laboratórios de informática, mas sim é preciso formar o professor para aprender a ensinar utilizando estes meios da melhor forma possível. É preciso quebrar a barreira entre o computador e sala de aula, tornando-o algo simples e cotidiano na vida escolar do aluno e do professor. Mas como fazer isso? Utilizando- o, é preciso fazer uso, para poder perceber a contribuição didática desde equipamento.

Algumas escolas públicas brasileiras possuem computadores e acesso a internet, porém sabemos que não é a realidade de todas. E ainda há outro empecilho, pois as escolas que já possuem, não dispõem de profissionais habilitados na área para auxiliar os professores, os laboratórios ficam jogados e quando há uma falha técnica, é preciso contratar um profissional para concertar, o que nem sempre é possível, pois nem sempre há recursos financeiros disponíveis.

Para utilizar os computadores na prática pedagógica, é preciso planejamento, pesquisa e empenho, pois não temos uma formação para tal prática. Já utilizei o computador e ainda utilizo quando possível, pois é preciso criatividade e pesquisa. Utilizo os computadores nos conteúdo de estática, na construção de gráficos, e com as funções, também na construção de gráficos, mas ainda é muito pouco, acredito que poderia explorar muito mais o uso dos computadores dentro da Matemática. Visto que o ensino se torna atrativo, quando inovado.

O desejo de aprender como cita Delannoy (1997) apud Perrenoud, sugere que algumas pessoas têm o prazer em aprender por aprender, gostam de dominar dificuldades, superar obstáculos. Nesse caso, o papel do professor é o de propor desafios intelectuais, de forma lúdica, oferecendo situações estimulantes e interessantes. É quando dizemos que o aluno pode aprender brincando, totalmente diferente do ensino tradicional. Carvalho explana sobre a rejeição pelo “ensino tradicional” principalmente pelos professores em formação, porém apesar de tantas repulsas sobre o este tipo de ensino, ainda continua-se fazendo em sala de aula o que se fazia há 60 anos atrás. Podemos ver que existem muitos discursos e críticas sobre o ensino tradicional, porém a prática continua a mesma.

Percebo que minhas práticas ainda estão voltadas para o ensino tradicional, porém faço algumas tentativas no intuito de inovar, percebo que sempre que introduzo algo novo, há aprendizado por parte dos educandos. O que me anima a pesquisa novas práticas, e buscar inovações. Sempre que seleciono conteúdos, proponho em meus objetivos, a aprendizagem voltada para a realidade. Não me preocupo com a quantidade de conteúdos, mas sim com a qualidade e principalmente com a metodologia, pois é preciso contextualizar. Mostrar para educando o conteúdo cientifico dentro da realidade, se aluno obtiver este conhecimento, então concluo que houve aprendizagem.

Referências

ARAÚJO, Rosana Sarita de. Contribuições da Metodologia WebQuest no Processo de

letramento dos alunos nas séries iniciais no Ensino Fundamental. In: MERCADO, Luís Paulo Leopoldo (org.). Vivências com Aprendizagem na Internet. Maceió: Edufal, 2005.

CARVALHO, Ana Maria P. & Perez, Daniel Gil. Formação de professores de Ciências: Tendências e inovações. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1995, p 38 -40.

PERRENOUD, Fhilippe. Dez novas competências para ensinar. São Paulo: Artmed, 2000. pg. 67-77.